Que sou Eu?

Atualizado: 28 de out. de 2021


"Conhece-te a ti mesmo."

Sócrates


Já alguma vez paraste para fazer esta pergunta? Quem sou eu? Qual a minha essência? Qual o meu propósito?


Sim, estas são perguntas importantes que devemos fazer, e serão perguntas que nos acompanharão na vida.


Nos dias de hoje, olha-se o mundo como se fosse principalmente físico, como reflexo de inúmeros estímulos externos, numa busca constante de respostas aos padrões do que é esperado, do que é preconizado como “normal” ou aceite. Achamos que somos o reflexo da resposta aos supostos padrões da “normalidade”. Vamos construindo a nossa vivência num “molde” que só nos leva à instabilidade e à desarmonia, porque instiga-nos à comparação com o outro e à indefinição na unicidade. Tendemos a dar maior importância a fatores externos do que internos, o que nos leva apenas à dependência e apego. Busca-se apenas o contentamento no imediato, fugaz e volátil, pois apenas dependem de fatores que não conseguimos controlar.


Passamos uma grande parte da nossa vida em piloto automático, a viver em resposta a rotinas e padrões, preocupamo-nos apenas em responder a expectativas e esquecemos o que realmente somos, anulamos a nossa individualidade, a nossa essência. Achamos que somos o que fazemos, que a nossa profissão nos define, cremos ser as expectativas que os outros têm de nós. Não, nada disso nos define.


No sentido de nos encontrarmos enquanto seres individuais, é essencial caminharmos para descobrirmos a nossa essência, a nossa verdadeira consciência.

Descobrir o nosso verdadeiro eu é uma busca interior, dos nossos valores, das nossas bases, é perceber o que é que para mim realmente importa, o que é realmente essencial e saber que só preciso disso para ser feliz e viver plenamente…tudo o que vem com isso é supérfluo, fugaz, comutável.


Para não nos esquecermos do que realmente somos temos que ser resilientes e criar desapego com o que a sociedade espera e de padrões. Temos que viver com eles mas não lhe podemos dar relevância tal que crie a teia na nossa vivência. Temos que criar na nossa vida estratégias facilitadoras do nosso auto-estudo, que permitam um indivíduo destacar-se como ser único, auto-suficiente, sustentado na sua individualidade.


Contudo é importante aceitar os estímulos constantes da sociedade e como eles serão barreiras que se colocam no nosso caminho. É assim, necessário saber diferenciar o que é que a sociedade impõe e o que espera de mim, do que realmente sou como ser individual e do caminho que quero traçar.


Se diariamente passarmos por cima dessas diferenças, sérias confusões conceptuais podem surgir. Porém, se conseguirmos encontrar o forma de integrar as duas formas de olhar a realidade, podemos não apenas chegar a uma profunda compreensão da nossa unicidade, mas também vivermos conscientes da nossa verdadeira essência.


O primeiro passo no caminho é querer algo diferente, uma aspiração de crescer a partir do nosso estágio atual de desenvolvimento. Neste processo, será necessário reunir todas as diferentes “vozes” que temos dentro de nós, resolver qualquer conflito persistente ou sinceridade dividida, remover barreiras mentais ou emocionais e finalmente fazer um compromisso profundo.


Como diz o historiador Leandro Karnal, se eu me conhecer eu não me deixo ofender por ninguém, se alguém me agredir e eu respondo a essa agressão a minha paz pertence a ele, se eu não responder, a minha paz me pertence e eu provo que me conheço, porque não deixei que a tentativa de ofensa de alguém me provocasse uma reação. Se reajo a uma ofensa, eu vou estar a expor um problema meu, uma fragilidade e mostrar que eu não me conheço.


Para responder assim à questão “Quem eu sou?” tenho que começar por perceber e interiorizar o que eu não sou…eu não sou a minha profissão, eu não sou os meus pensamentos, eu não sou as expectativas dos outros, eu não sou o que tenho, eu não sou a minha raça ou etnia. Depois devo-me questionar, quais os meu verdadeiros valores? O que eu realmente quero? O que eu realmente desejo? O que realmente alimenta positivamente o meu ser? E se aprofundarmos estas questões vamos perceber que o que realmente queremos, o que realmente desejamos, são coisas muitos simples e não é ter o que outro tem, nem ser o que o outro é. Temos que deixar de querer viver a agradar ao outro e sim agradar-me a mim mesmo (e isto não é egoísmo), fazer o que realmente gosto e quero, desapagando-me da crítica e do julgamento….eles irão existir sempre, faças o que fizeres. Aprender a dizer não, o não é libertador!



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