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O Silêncio

O silêncio é, muitas vezes, a melhor resposta.

Dalai Lama


O silêncio está em vias de extinção. Cada vez é mais difícil estar em silêncio, aprecia-lo e senti-lo. Estamo-nos a tornar dependentes do ruído, dos estímulos constantes e ocupamos sempre momentos de pausa com algo.


O ser humano tem dificuldade em estar com ele próprio, de ouvir o seu interior, mas é nele que encontramos respostas. Já não existe sequer respeito pelo nosso silêncio individual e pelo silêncio coletivo. Já não há sequer preocupação se estamos a incomodar o outro.


Se vamos a um parque, ver o mar ou algum local simplesmente para apreciar, dificilmente o conseguimos fazer porque somos bombardeados por estímulos e ruído da envolvência.


As pessoas não sabem, essencialmente, estar simplesmente com elas próprias, sem foco no que vem ou no que foi, porque estar com elas próprias implica enfrentar os problemas internos, implica levantar a poeira que está debaixo do tapete, implica retirar tudo o que está guardado e camuflado no interior da gaveta, implica retirar as máscaras, implica enfrentar as sombras e ir ao nosso âmago.


Por isso procuramos respostas na internet, ou no outro, com objetivo de encontrar aquilo que queremos ouvir e não aquilo que precisamos de ouvir. Procuramos aquilo que nos vai insuflar o Ego e não aquilo que nos vai nutrir e curar. Porque muitas vezes para encontrar a cura temos que passar por um processo de sofrimento ou de dor e enfrentar as nossas sombras. Se não o fizermos vamos continuar a empurrar para debaixo do tapete.


Estamos a perder a capacidade de ouvir o outro, de verdadeiramente escutar, porque temos uma necessidade constante de expressar a nossa posição ou a nossa opinião. Com esse comportamento não estamos a ajudar o outro, que muitas vezes só precisa de ser ouvido pois responde sozinho às sua próprias lutas. O silêncio é extramente poderoso porque quando escutamos estamos quase sempre a aprender algo, quando apenas falamos só estamos a expressar o que já conhecemos, não abrimos espaço para uma nova aquisição, não abrimos espaço para o ganho.


Pode não ser fácil no início mas experimenta estar uns minutos por dia contigo em silêncio, apenas estar, apenas existir, sem medos, aceitando o que o silêncio tiver para te dar. Aos poucos perceberás o quanto o silêncio te nutre, te cura e te dá respostas. Isso mudará a forma como estás na tua vida, passarás a respeitar também o silêncio do outro, passarás a escutar mais, sem julgamento. Chega a um ponto em que é confortável para ti estar em silêncio contigo próprio. Depois passarás para a fase de gostar de estar em silêncio e já não conseguir viver sem esses momentos. Aí estarás muito melhor preparado para a tua vida.


O silêncio trás com ele pormenor, deslumbramento. O silêncio permite-te ver a beleza do que te rodeira, permite-te apreciar a bela geometria de uma folha, a forma como sua cor muda com os raios de sol, permite-te escutar a natureza em movimento e os seres que nela habitam, permite-te identificar cheiros que de outra forma te eram despercebidos, permite-te sentir a brisa a tocar o teu rosto e o efeito que ela tem em ti. O silêncio permite-te despertar todos os teus sentidos que estão muitas vezes adormecidos.


Procuro no meu dia a dia esses momentos de silêncio e consigo afirmar que eles são reparadores da constante ação. Praticar a inação que irá curar os efeitos da constante ação. Encontro-me no silêncio da minha prática individual, nele não há o que está para trás, não há o que virá para a frente, não há família, não há amigos, não há trabalho, não há sociedade, não há manipulação, não há julgamento, não há culpa, não há comparação, não há competição. Na minha prática apenas existo Eu e o silêncio que me nutre, que me recupera, que me alimenta, que me dá respostas, que me permite libertar todas as máscaras, que me ensina e que me doutrina.


Encontro-me ainda no silêncio da natureza, e esse é sem dúvida o silêncio mais transformador. A natureza mostra-me que tudo é perfeito, tudo sabe o seu lugar sem haver a constante verbalização, sem haver um comando verbal. Sim, porque cada vez mais o ser humano vive em resposta a comandos, não segue o seu instinto, a sua intuição, o seu coração. A natureza apenas age por instinto, intuição porque ela é O Coração. A natureza usa a sua própria linguagem, que é muda mas que tudo consegue, tudo transforma, tudo regenera, tudo liberta e tudo cura. O silêncio é a mais bela linguagem da Terra.


Silencia-te e sentirás dentro de ti uma grande limpeza.



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